sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Pensativa


Dilemas

O que fazer
Quando não se sabe bem o quê?
Fica com um nó amarrado no peito
Apertado que nenhuma agulha dá jeito
Quanto mais se pensa em desatar
Mais ele ata,
Como o cadarço do sapato
Quando se puxa a ponta errada.
É como passar
A parada do ônibus
E não saber voltar,
Perder o ponto da massa,
E deixá-la grudar
No fundo da panela.
Quanto mais o tempo passa,
Mais ela se esfarela
E queima,
E o nó continua,
E teima.
Enquanto eu olho pela janela.
E espero o conselho
De uma estrela.

19/06/10

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Em busca da fórmula secreta

Ansiedade, boca seca, mãos suando frio e um pouco de gagueira no início. Até que a coisa começa a fluir, meio no automático. Ele pergunta, você responde, enaltecendo as qualidades e tentando esconder os defeitos. Presta a maior atenção na conversa (sempre tomando o cuidado para não falar demais nem de menos).  Então vocês se despedem, como se já se conhecessem há anos... ou como se nem tivessem se conhecido.
 Depois, paciência... a espera é infinita. O telefone que não toca, o e-mail que não chega..  Passa-se 1 semana, 10 dias. Você não aguenta mais esperar. Só que quando toma a iniciativa, descobre que não foi dessa vez.
Essa poderia ser a descrição perfeita para um primeiro encontro não é? Mas é só mais uma entrevista de emprego.
Não é razoável constatar que o que vivemos e sentimos ao passar por essas situações – do primeiro encontro e da entrevista de emprego -  seja bem parecido, uma vez que o lado profissional e afetivo tem peso igual nessa difícil equação da felicidade em nossas vidas?
Olha só: em ambos os casos têm que rolar a química. Mas ô formulazinha complicada! Às vezes você acha que pôs todos os ingredientes no lugar e na hora certas, mas o resultado não sai como o esperado. Por outro lado, nada impede que aconteça o contrario também, afinal não há lógica 100% correta quando se trata de seres-humanos.
Pena que não há manual com passo-a-passo, embora a grande maioria insista em dizer o contrário. É claro que existem dicas gerais em relação à aparência e o comportamento, mas isso é o máximo em que se pode confiar. O resto depende exclusivamente de você e da pessoa com quem você está interagindo - e digo isso sem querer desmerecer o trabalho dos populares “gurus” de carreira e da paquera. O que eles consideram mais importante – e não é novidade para ninguém -  é ser quem você é, e, se a química rolar, ótimo! Se não, você risca aquele nome do seu caderninho e parte para o próximo, porque afinal de contas a fila tem que andar. Mas que podia ter uma fórmula exata, isso podia!
Então, inconformada que sou, com a ajuda do Santo Google encontrei uma que, se não for exata, pelo menos te leva ao caminho certo:
Motivação + Treino + Autocontrole + Sorte = Sucesso

Motivação para continuar firme e não desistir no meio do caminho;
Treino para poder errar bastante, e completar suas 10 mil horas (de trabalho, com 8h/dia, totaliza 3,5 anos) - no meu caso, já estou bastante adiantada, só que em horas de entrevistas;

Autocontrole para não tomar decisões precipitadas e jogar tudo por água abaixo;

Sorte porque o meio que você vive contribui para seu sucesso.
E como se consegue tudo isso? Com atitudes positivas. Acho que não há outro jeito. Alerto que essa fórmula está em fase de testes. Se não funcionar, eu aviso.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Gira a Terra

 
Fico tonta.
Sou uma e sou tantas
Que não cabem em mim.
Sou céu e estrela,
Sou Sol e sou chuva,
Sou risco e rabisco,
Sou choro e sou riso,
Rotina e adrenalina.
Sou mulher,
Ainda menina.
Tão simples assim.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Uma vida completa em 3 anos

Faz tempo que não me inspiro a postar nada no blog, mas, quando li esta história, achei que tinha que registrá-la aqui. Uma porque é a representação real do último texto que publiquei . Ambas tem exatamente o mesmo enredo, embora  uma delas seja ficção. Outra porque acredito que casos como esses devem ser divulgados tanto quanto possível, para entendermos que é preciso viver ao máximo - eu sei que todo vive dizendo isso, mas  fazer é outra coisa -   e que a esperança é a última que morre ou que, enquanto há vida, há esperança- mesmo! Não estou dizendo que eu sou Poliana, talvez eu insista tanto nisso justamente porque não aproveito a vida como deveria e nem sempre consiga encarar tudo de maneira tão positiva. A vida pode  ter histórias alegres ou tristes. Mas, independente do sentimento que passam,  todas as que tocam a alma merecem ser  contadas.

PS: Importante dizer que escrevi o conto há alguns sete ou oito anos, ou seja, qualquer semelhança terá sido mera coincidência.



Foto: BBC 

Jovem conta que viveu intensamente os últimos 3 anos de vida. Ele apaixonou-se e casou.


Jovem com câncer diz que viveu "uma vida completa" em 3 anos

Ele faleceu três anos após o diagnóstico e dedicou-se a aproveitar ao máximo o tempo que tinha

Alex Lewis foi diagnosticado aos 17 anos com câncer nos ossos e passou por um tratamento intensivo contra a doença, sem sucesso. Ele faleceu pouco depois do seu aniversário de 22 anos. Durante os últimos três anos, ele experimentou o que muitas pessoas levam toda a vida para conseguir, inclusive conhecer e casar com o amor de sua vida. Em seu último ano, ele se apaixonou e casou-se com a namorada, que ficou ao seu lado até o fim.

A história de Alex foi tema do documentário "Alex: A Life Fast Forward" (Alex: Uma Vida Acelerada, em tradução livre), do canal de TV britânico BBC Three. O garoto foi diagnosticado depois de sentir dor no braço por meses. "Ele jogava muito tênis e futebol americano, por isso imaginou que havia distendido alguns músculos, mas a dor não desaparecia", disse o diretor do documentário, David Dugan, à BBC.

Quando finalmente recebeu o diagnóstico, o câncer já havia se espalhado para seus
pulmões. Ele passou por uma intensa quimioterapia e um dos ossos em seu braço foi substituído por uma prótese de metal. Mas apesar de cirurgias e radioterapia, os tumores continuaram a se espalhar. Segundo Dugan, quando começou a enfrentar a perspectiva de morrer, Alex jurou viver cada dia com o máximo de energia que pudesse. "(A doença) Faz você compreender como a vida é preciosa. A vida é maravilhosa, na verdade, mas para aproveitar cada minuto você precisa olhar para tudo de uma maneira positiva", disse Alex, no documentário.

Enquanto realizava as diferentes etapas do tratamento, ele decidiu fazer viagens de aventura. Entre elas, pular de pára-quedas na Nova Zelândia, andar de buggy nas dunas de Dubai e mergulhar após saltar de um penhasco na Cornualha.

'Beijo inesperado'

Em seu último ano de vida, durante uma festa em Swansea, no País de Gales, Alex conheceu Ali Strain, uma garota que
havia visto durante uma viagem para encontrar amigos na Austrália, e se apaixonou. "Foi um beijo inesperado e depois disso, tudo foi muito rápido. Eu pensei que esta era a garota com quem gostaria de passar o resto da minha vida", disse o garoto ao diretor.

O casal começou a namorar e Alex a pediu em casamento três meses depois. "O apoio mútuo e carinho que eles compartilhavam um com o outro era, ao mesmo tempo, alentador e triste de assistir", diz Dugan.
Eles ficaram noivos e Ali se mudou para a casa da família em Oxfordshire para ficar com Alex. "Apesar de estar piorando fisicamente, ele amava ter alguém com quem dividir sua vida, e descreveu o tempo que passou com Ali como um relacionamento de seis anos que foi acelerado e condensado em cerca de três meses", afirmou o diretor, que conviveu com o casal.
Dugan conta que, na época, o pai de Alex, Andy Lewis, disse que o relacionamento de seu filho "fez com que ele começasse uma vida nova. Ele anda com um sorriso no rosto quando não sente dor".
No entanto, já no outono de 2010, os tumores de Alex já se espalhavam por seus pulmões e ele tinha dificuldades para respirar. "Ele tomava tanta morfina para controlar as dores que era surpreendente que permanecesse acordado, mas estava determinado a continuar fazendo festas e vendo seus amigos todos os fins de semana", diz Dugan.

'Momentos felizes'
Com sua família, Alex chegou a comemorar três natais como se fossem seu último. Em janeiro de 2011, o casamento com Ali foi realizado apressadamente, mas depois da festa, sua saúde deteriorou-se rapidamente. No documentário, David Dugan registrou o apoio que o garoto recebia da namorada durante pior momento da doença.
"Ele estava sentindo tanta dor, então eu só dizia 'lembre-se de todos os momentos felizes...pense na noite em que ficamos juntos em Swansea e pense em todos os seus amigos maravilhosos'. E isso o ajudou muito", disse Ali ao diretor. "Ele queria que sua família e amigos soubessem como havia gostado de sua vida e que não pensassem sobre o destino que ele teve.
Alex também quis ressaltar a dificuldade de diagnosticar o câncer ósseo para que outros adolescentes não sofressem o mesmo que ele", afirmou Dugan. "Pouco antes de morrer, Alex Lewis fez questão de dizer a sua família como acreditava que a vida que teve havia sido completa, apesar de ter acabado antes do tempo."

Fonte: IG/BBC

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Consolo

Um estalo a fez compreender o que aconteceu naquela noite de lua cheia e céu pintado de negro. Ainda não conseguia apreender o sentido de tudo. Ficava pensando que poderia ser uma piada, um sonho, uma brincadeira de mau gosto, mas não... era a verdade... a verdade que ela se esforçou para não enxergar. Seu coração está leve e puro agora, embora não tão puro quanto lhe pareceu aquele surpreendente olhar de anjo que um dia cruzou o seu. O que sobrou daquela pureza foram lembranças.

Não estava a fim de se recolher. Teve a impressão de que, se dormisse, seria impossível acordar no dia seguinte. Então resolveu ficar ali, contemplando a lua, muito mais consoladora do que qualquer ombro amigo.

Há coisas na vida que não tem explicação mesmo. E não era preciso compreender nada, apenas se acostumar com a idéia. Afinal de contas, tudo é passageiro, tudo é finito. Os bens materiais se acabam, os sentimentos e os melhores aromas se evaporam no ar. Com o ser humano não poderia ser diferente.

Se algum dia lhe perguntarem o que restou dele, ela responderá: eu. Porque ela era parte dele, a parte mais prática, menos emotiva, mas era a parte que ele mais gostava. E ele tinha algo de maravilhoso, o otimismo. Sempre procurando ver o lado bom da vida. No início, chegou a pensar que fosse ingenuidade, mas descobriu que era só um truque para fazer diminuir o peso do fardo que ele carregava... às vezes, isso até a irritava e dizia: será que não dá para você encarar a vida de maneira mais realista? Não dava. A realidade havia sido muito cruel com ele. Seu lugar era mesmo a fantasia, agora compreendia.

Eles se conheceram num bar, numa noite de sexta-feira. Ela estava curtindo uma fossa por ter levado um fora de um babaca que fingia amar. Na certa porque tinha medo de descobrir o que era o amor de verdade. Mas quando o viu ali, logo se encantou. Ele veio a ela com seu olhar doce e sorriso terno. Logo tornaram-se amigos íntimos; ela contou a ele sua decepção amorosa e ele a consolou como se se conhecessem há anos.

Concluíram, depois de algum tempo, que não há melhor forma de iniciar um relacionamento. Fazendo o caminho inverso. Começa-se descobrindo as fragilidades , os defeitos, os deslizes e prepara-se para não cometer os mesmos erros que causaram mágoa ao outro no passado. Elimina-se, então, tudo o que possa trazer a tristeza, e assim as pessoas ficam livres para conhecer apenas as qualidades um do outro e serem felizes. E assim foi por algum tempo...

Até que um dia ele contou a ela um segredo. Sentou a seu lado e começou a falar, com uma naturalidade assustadora, que tinha pouco tempo de vida. Ela achou que fosse mais uma das “peças” que ele costumava pregar, nas quais ela sempre caía feito uma patinha, fazendo-o soltar uma gostosa gargalhada. Nervosa, ela esbravejava, mas havia um jeito muito fácil de desarmá-la. Bastava um beijo para que ela ficasse mansinha de novo.

Bem, dessa vez ele tinha um ar sério, incomum. Ficou esperando uma risada debochada depois da sua cara de espanto, mas ela não veio. Então, abraçou-o, aos prantos. Ele preferiu o silêncio.

Depois daquele dia, resolveram não contar o tempo. Não sabiam sequer quando um dia começava e outro terminava; apenas viviam, juntos, batalhando pela vida. Os médicos não davam esperanças, mas ele resistia, queria vencer Deus pelo cansaço. Achava-se mais forte que Ele. Em momento algum deixou-se dominar pela fúria. Apesar de sua juventude, ele era sábio e lhe ensinou que a luta só termina quando o combatente dá o último suspiro. Era assim que ele pensava, e foi pensando assim que ela atirou na imensidão do mar as cinzas que restaram naquela caixinha de madeira que carregava junto ao peito. Afinal, a sua luta ainda não terminou.
Também publicado no Releituras .

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Insônia e dia dos namorados

No dia dos namorados, resolvi postar um texto que não escrevi por causa do dia dos namorados, mas tem tudo a ver. É bom ter essa insônia, especialmente se você tiver um(a) namorad(a)......mas, se não tiver, também vale. O que não vale é quando esse alguém é igual a ninguém,  quando está com você sem estar. Como diz o velho ditado, antes só do que mal acompanhada. Para viver o amor, temos que  perceber que a felicidade, a tal da plenitude tão esperada, tem que estar primeiro em nós mesmos. Assim fica bem mais fácil receber o amor do outro, não é mesmo? Leiam o texto e me digam.

Insônia

Chegou em casa de madrugada, louco  por umas boas horas de sono. Como de costume, atravessava o extenso corredor que levava ao quarto, quando algo além de seus passos quebrou o silêncio. Apurou os ouvidos. Pareciam gemidos roucos, sussurrados, pérfidos.  Estancou os passos no meio do corredor durante segundos infinitos. Pensou na vida. Em tudo o que era e o que tinha, no conforto daquela cama e dos braços daquela mulher que sempre o esperava há anos. Visualizou seu sorriso de carinho. O cheiro, o olhar sereno , a pele macia e branca que ficava ao seu alcance e que ele tocava de vez em quando, com certo tédio. Os lábios rosados e suculentos, aguardando o beijo que nem sempre vinha. De repente parou de pensar e as pernas voltaram a andar bem devagar, esperando que os ruídos cessassem. E começou a sentir um torpor, como se o corpo se desmaterializasse e somente o espírito vagasse .Ou como se sua alma  estivesse evaporando  à medida que a porta do quarto se aproximava, e os ruídos só aumentavam em volume e intensidade.

Talvez fosse melhor bater, pensou, antes  de perceber que a porta  estava entreaberta. Apenas um leve empurrão e o tormento estaria acabado. Mas os gemidos agora ecoavam nas paredes. Um vento forte escancarou  a porta, não revelando nada além da escuridão. Assim seguiu no seu passo, ainda mais lento, aproximando-se cada vez mais daquele som aterrorizante. Como lhe faltou a coragem de acender as luzes, imaginou a foice, com o sangue e a morte do traidor estampada nos lençóis brancos de linho que ela tanto gosta. Seria incapaz de lhe fazer mal, pois reconhecia o quanto fora boa para ele até então, porém, estava decidido a montar a cena do crime para que ela fosse considerada culpada pela morte daquele desconhecido com quem ela o humilhava.

Tateou no escuro, sentindo os lençóis de linho branco e sobre eles, o corpo quente que se contorcia em movimentos voluptuosos. Agora só se ouviam as respirações  - exaustas dela e tensas dele. Reconheceu a pele macia e branca que tocava, às vezes, ao se deitar. Mas antes que pudesse fazer qualquer movimento brusco, pôde ouvi-la sorrindo  e  lhe estendendo  os braços que continuavam a esperá-lo. Repousou a cabeça sobre seus seios redondos e o peito arfante. Ele não pôde conter as lágrimas. Tinha acabado de adquirir uma certeza que todos os maridos gostariam de ter: sua mulher não era adúltera. Era, sim, independente.  A boca permaneceu calada, mas seu corpo, não. Mandou o sono bater em outra porta e passou a dar mais valor ao que tinha em casa.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Entre os Nãos e o Sim




Não quero sonhar

Para não me iludir.



Não quero rir

Para não ter que chorar.



Não quero ir

Para não ter que voltar.



Não quero dormir

Para não ter que acordar.



Só quero, pura e simplesmente,

Amar.

 (Porque por trás de tantos rudes e insignificantes nãos, há sempre um sonoro e delicado sim! )

19/01/2011